Finalmente, após meses de negações, o IPS, pela voz de Gabriel Olin, assume que o facto de um homem declarar que tem/teve relações homossexuais é factor de exclusão da dádiva.Após várias notícias onde isto era desmentido, Olin decidiu-se a afirmar a verdade tal como ela é:
-"ser homossexual já é um comportamento de risco"
- "A necessidade de garantir que os potenciais dadores não têm comportamentos de risco que, em termos objectivos e cientificamente comprovados, podem constituir uma ameaça à saúde e à vida dos potenciais beneficiários, leva à exclusão dos potenciais dadores masculinos que declarem ter tido relações homossexuais"
- Detendo por base um estudo BRITÂNICO em que se conclui que existem "elevadas taxas de prevalência nos homossexuais do sexo masculino de doenças graves transmissíveis pela transfusão de sangue".
Ora bem, por onde começar a desconstruir toda esta teoria alucinogénica????
Em primeiro lugar, é verdade que a prática de sexo anal desprotegido detém uma maior probabilidade de infecção por DST´s, mas essa prática não é exclusiva dos homossexuais!
Em segundo lugar, comportamentos de risco não é ser homossexual, é fazer sexo desprotegido, é fazer sexo com profissionais do sexo sem as protecções devidas, é utilizar seringas usadas, é não ter cuidados especiais numa relação com alguém infectado,assim como o caso da promiscuidade (onde os homossexuais masculinos têm a "Fama" de serem sempre identificados) se a pessoa for consciente dos riscos que corre e tomar as devidas precauções, não vejo mal nenhum, desde o momento que seja prudente o suficiente para fazer o teste!! Homo ou hetero que seja!!
Em terceiro, todos sabemos que ao fazer sexo com uma pessoa estamos a fazer sexo também com todas as pessoas com as quais as outra pessoa fez sexo, mas isso acontece tanto em homossexuais como em heterossexuais, deveremos então excluir os heterossexuais de doar sangue também???
Em quarto, é claro que é necessário proteger a pessoa que vai receber o sangue, pois não quer ser infectada devido a uma transfusão, mas é para isso que serve a analise efectuada a todo o sangue que é doado!!!!!! Só assim se pode evitar problemas posteriores.
Em quinto, acho fantástico a defesa do MS de que "não se trata de discriminar em função da orientação sexual, como fica comprovado pela circunstância de os homossexuais de sexo feminino poderem ser aceites como dadores". Isso é uma defesa?? È de que para além de ser uma discriminação baseada num estereótipo, é também uma exclusão devido ao género também isso devido a bases nulas, pois está comprovado que a mulher é muito mais suscetível à infecção do que um homem.
Em sexto lugar está o bom sentido português que vai atrás dos outros, pois segundo estudos portugueses (feitos pela Coordenação Nacional para a Infecção pelo VIH/sida) regista-se um diminuição dos casos de infecção nos homossexuais (que são das comunidades que mais fazem testes e que estão em terceiro lugar na lista de maior numero de infectados), enquanto há uma tendência para o aumento dos casos de infecção nos heterossexuais, essencialmente nas mulheres que já há muito estão no topo da lista. Mas para quê seguir os estudos nacionais?Os estudos ingleses são melhores! Porque não os americanos?? È que nesses o grupo mais afectado são os negros, vamos excluí-los também?
Em sétimo lugar, uma da bases de defesa do MS era de que era uma norma comunitária. Mas será que querem enganar quem??????? Para além de que a comissária europeia da Saúde já ter garantido que não existe qualquer directiva da Comissão Europeia que exclua os homossexuais do grupo de dadores de sangue, há vários países onde não existe norma nenhuma, como exemplo dos nossos hermanos espanhóis, o caso da bota da Europa e o caso da Holanda (e deve haver mais alguns que ainda não pesquisei...).
Em oitavo lugar tenho a obrigação de referir que NÃO EXISTEM GRUPOS DE RISCO!!!! Existem COMPORTAMENTOS DE RISCO!!
È realmente incrivel como este País se dá a certos luxos. E depois tentam enganar os cidadãos. Eu já sabia desta descriminação, pois já fui recusado como dador devido a ser gay. Acho incrivel como em pleno século XXI, com a medicina a avançar cada vez mais, com todas as descobertads que houve até hoje, entre outras coisas, isto acontecer num país que se diz "moderno".